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sábado, 30 de janeiro de 2016

Biomas Brasileiros - Pantanal

O bioma Pantanal é uma das maiores extensões inundáveis contínuas do planeta. Este bioma é o de menor extensão, ocupando 1,76% do território brasileiro, com área aproximada de 150.355 km². O pantanal é uma planície aluvial influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai. Três importantes biomas brasileiros exercem influência sobre o pantanal: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica (MMA, 2014) além do Chaco.


O pantanal está inserido na região Centro Oeste do Brasil, na bacia do Alto Paraguai, entre as latitudes 14º e 23º Sul e longitudes 55º e 60º Oeste (Bittercourt Rosa, 2004), possuindo distribuição nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O Pantanal trata-se de uma região complexa, dividida em muitas sub-regiões com grandes variações nos sistemas clima, solo, água, planta e animais (RODRIGUES, 2002). O mosaico de habitats é responsável pela riqueza da biota aquática e terrestre, fazendo do Pantanal a planície inundável mais rica em espécies de aves do mundo e com as maiores populações conhecidas de grandes mamíferos ameaçados, como o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), a ariranha (Pteronura brasiliensis) e a onça-pintada (Panthera onca) (HARRIS et al., 2005).





Fotos - Sesc Pantanal -Corumbá -MS.

Quanto a preservação apenas 4,4% do bioma encontra-se em unidades de conservação, mas 86,77% de sua cobertura vegetal nativa esta mantida. A maior parte dos 11,54% do bioma alterados por ação antrópica, é utilizada para a criação extensiva de gado em pastos plantados (MMA, 2014). A pecuária de corte na região do Pantanal cuja origem remonta ao século XVIII, é a principal atividade econômica (CRISPIM et al., 2009). Atualmente o desmatamento dentro da planície pantaneira é um dos problemas mais críticos: cerca de 40% das florestas e savanas foram removidas para a formação de pastagens, freqüentemente com a introdução de gramíneas exóticas (HARRIS, et al, 2005).
Gráfico climático, Corumbá
Climograma da cidade de Corumbá-MS - Fonte: Climate Data

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Biomas Brasileiros - Considerações Gerais

O Brasil possuí dimensões continentais (8.515.767,049 km2). Uma das implicações da grande variação tanto em latitude (4.394,7 km) quanto em longitude (4.319,4 km) é o destaque do Brasil como um dos países de maior biodiversidade do mundo.
A expressiva biodiversidade brasileira pode ser melhor compreendida em termos dos Biomas Brasileiros. Além do Bioma Marinho, outros seis biomas terrestres são encontrados no território brasileiro (Figura 1). Por ordem Alfabética, são eles: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e o Pantanal. 

Figura 1. Biomas brasileiros.

Esta questão desperta tanto interesse em diversas áreas de estudo que deu origem à ciência designada por fitogeografia (i.e., estudo da distribuição geográfica dos vegetais e dos fatores históricos e biológicos que a determinaram; botânica geográfica, geobotânica ).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Bioma é conceituado como um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria.
O bioma continental brasileiro de maior extensão, a Amazônia, e o de menor extensão, o Pantanal, ocupam juntos mais de metade do Brasil: o Bioma Amazônia, com 49,29%, e o Bioma Pantanal, com 1,76% do território brasileiro.


Fonte: www.ibge.gov.br

Acesse o Mapa dos Biomas Brasileiros, disponibilizado pelo IBGE: Clique aqui.

De forma preocupante, dois dos hotspots mundias são Biomas Brasileiros: A Mata Atlântica e o Cerrado (Myers, 2000). Os hotspots, são áreas que apresentam concentrações excepcionais de espécies endêmicas e que têm altas taxas de desmatamento. A devastação da Mata Atlântica é resultado da ocupação desordenada desde a colonização (Dean, 1966). Estima-se que restam apenas 12,5% da formação original (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA, 2014). Já o Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, é considerado a última fronteira agrícola do planeta (Borlaug, 2002). Dados de 2002 apontam que 55% do Cerrado já foram modificados pela ação humana (Machado et al., 2004a). 

A Caatinga por sua vez é a região natural brasileira menos protegida, pois as unidades de conservação cobrem menos de 2% do seu território. Frente ao avançado desmatamento que chega a 46% da área do bioma, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o governo busca concretizar uma agenda de criação de mais unidades de conservação federais e estaduais no bioma, além de promover alternativas para o uso sustentável da sua biodiversidade.

Saiba mais sobre o bioma Cerrado: Clique aqui.
Saiba mais sobre o bioma Pantanal: Clique aqui.
Saiba mais sobre o bioma Caatinga: Clique aqui.

Referências Bibliográficas

BORLAUG, N.E. 2002. Feeding a world of 10 billion people: the miracle ahead. In: R. Bailey (ed.). Global warming and other eco-myths. pp. 29-60. Competitive Enterprise Institute, Roseville, EUA.
KLINK, Carlos A.; MACHADO, Ricardo B. Conservation of the Brazilian cerrado. Conservation biology, v. 19, n. 3, p. 707-713, 2005.
MACHADO, Ricardo B. et al. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. Conservation International do Brasil, Brasília, 2004.
MYERS, Norman et al. Biodiversity hotspots for conservation priorities.Nature, v. 403, n. 6772, p. 853-858, 2000.

Biomas Brasileiros - Cerrado

Localização 

O Cerrado é o segundo bioma mais extenso do território brasileiro (ocupa 23,92% da área do país). Abrange porções de todos os estados da região Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e o Distrito Federal; A porção leste do estado de Minas Gerais e parte central de São Paulo, na região Sudeste; O Estado de Tocantis na região Norte; e leste da Bahia e Piauí, além de boa parte do Maranhão, na região Nordeste (Figura 1).
Figura 1. Localização e abrangência do Cerrado no território brasileiro.

Vegetação.

Em uma classificação internacional, é considerado uma savana. Trata-se de um complexo vegetacional, havendo grande variação de suas fitofisionomias: desde paisagens adensadas até as mais abertas como ilustra  a Figura 2.



Figura 2. Complexo Vegetacional do Bioma Cerrado. (Fonte: EMBRAPA Cerrado).


No Cerrado, geralmente podem ser identificados dois estratos de plantas heliófitas: estrato superior e inferior. O superior é constituído por árvores geralmente tortuosas, de pequeno porte (até 20 m), com cascas espessas, folhas coriáceas e brilhantes ou revestidas por densa camada de pelos e raízes profundas, muitas vezes providas de xilopódio¹; as árvores são espaçadas e entre elas há estratos inferiores com arbustos, subarburstos  e uma vegetação rasteira formada, em geral, por gramíneas. 


Ipê amarelo no Parque Nacional Chapada dos Guimarães - MT.

O súber ou cortiça (casca espessa) das plantas lenhosas é muito desenvolvido e trata-se de um tecido vegetal muito importante na proteção contra a ação do fogo. 

Detalhe do súber desenvolvido e marcas de fogo.

Devido à concentração das chuvas, e o período prolongado de seca, as plantas apresentam como estratégia adaptativa, a capacidade de buscar água em profundidades que podem ultrapassar 10 metros. Além disso,outras estratégias de adaptação podem ser observadas: germinação de sementes na época das chuvas, crescimento radicular pronunciado nos primeiros estágios de desenvolvimento das plantas (Assad e Assad, 1999), folhas com estômatos abaxiais, cutícula espessa e com pilosidades, minimizando perdas de água para a atmosfera; resposta de crescimento sob baixas concentrações de nutrientes e pH ácido; acúmulo foliar de alumínio; e ajustamento osmótico das raízes, possibilitando a entrada de água nos meses secos e a continuidade da transpiração e da fotossíntese.
Já as plantas que dominam a paisagem da agricultura especializada em grãos supõem a presença de água nas camadas superficiais do solo. “Isto significa que, a substituição da vegetação de cerrado por áreas muito extensas cultivadas com plantas que utilizam mais água durante o ano, conduz a algum tipo de impacto na disponibilidade de água” (Assad e Assad, 1999). É interessante frisar também que os recursos hídricos são regulados e armazenados por uma imensa malha hídrica que já se ressente dos efeitos destrutivos das práticas dominantes de especialização agrícola.
Os solos do cerrado, na maioria, são ácidos, têm baixa capacidade de troca de cátions (CTC) e alta saturação por alumínio, com destaque para a ordem dos Latossolos, que representam 45% da área total (Vendrame et al., 2010). Com práticas de calagem e adubação, grande parte dos solos do Cerrado pode ser cultivada. No entanto, o monocultivo e outras práticas inadequadas têm causado redução da produtividade e degradação do solo, com diminuição dos teores de matéria orgânica do solo (MOS) e consequente redução da fertilidade e aumento da erosão (Loss et al., 2011). A adoção de SPD no Cerrado é uma medida que pode atenuar esses efeitos. Outras vantagens proporcionadas pelo SPD podem-se citar: o controle dos processos erosivos, na eliminação de operações de lavração e gradeamento, compactantes do solo, na diminuição do uso de combustíveis, no ganho de tempo pelo menor numero de operações, na redução do uso de fertilizantes no longo prazo e na maior rentabilidade e estabilidade. O SPD tem o intuito de contribuir para a melhoria do solo e da água minimizando ainda, custo para os produtores rurais e danos ao meio ambiente. (Macedo & Pasualeto). 

¹Tubérculo lenhoso, com gemas e reserva de água e de nutrientes, próprios de plantas adaptadas a extensos períodos de seca, que possibilitam a brotação do vegetal ao final do período seco.

Clima

Gráfico climático, Cuiabá
Climograma da cidade de Cuiabá - Fonte: Climate-Data

Referências Bibliográficas


ASSAD, E.D., ASSAD, M.L.L. Cerrado brasileiro: possibilidades e alternativas para produção e preservação. Brasília, 1999. Texto preparado como subsídio à formulação da Agenda 21, área temática – agricultura sustentável.

LOSS, A.; PEREIRA, M. G.; ANJOS, L. H. C.; GIACOMO, S. G.; PERIN, A. Agregação, carbono e nitrogênio em agregados do solo sob plantio direto com integração lavoura-pecuária. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasilia, v. 46, n. 10, p. 1269-1276, 2011. http://dx.doi.org/10.1590%2FS0100-204X2011001000022

VENDRAME, P. R. S.; BRITO, O. R.; GUIMARÃES, M. F.; MARTINS, E. S.; BECQUER, T. Fertility and acidity status of Latossolos (Oxisols) under pasture in the Brazilian Cerrado. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 82, n. 4, p. 1085-1094, 2010. http://dx.doi.org/10.1590%2 FS0001-37652010000400026