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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Fragmantação Florestal em Paraíba do Sul



Este resumo foi apresentado no 3º Simpósio de gestão ambiental e biodiversidade da ufrrj-itr ( http://sigabi.yolasite.com)
Fragmentação Florestal: análise quantitativa para o Município de Paraíba do Sul, RJ.
João Flávio Costa dos SANTOS1*, Mateus dos REIS1, Emanuel José Gomes de ARAÚJO2
1Discente em Engenharia Florestal, Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro,
2Docente do Departamento de Silvicultura, Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.*joaoflaviops@hotmail.com


Introdução
A mata atlântica apresenta-se hoje como um mosaico de vegetação [1]. Para o Vale do Paraíba, onde se insere o município de Paraíba do Sul, os ciclos do ouro e principalmente o do café legaram um quadro ambiental de degradação [2].
A fragmentação florestal pode ser estudada pela Ecologia da Paisagem a qual utiliza feições espaciais, observáveis e mensuráveis, para caracterizar as condições, desenvolvimento e mudança temporal dos fragmentos florestais [3].
O objetivo deste trabalho foi analisar métricas da paisagem de fragmentos florestais no município de Paraíba do Sul, RJ.
Metodologia

Para análise dos parâmetros de ecologia da paisagem utilizou-se o arquivo dos remanescentes florestais, em formato Shapefile, adquirido no site da Fundação SOS Mata Atlântica (ano base: 2012). Os índices da paisagem para os fragmentos foram obtidos por meio da extensão gratuita Patch Analyst do software ArcGIS 10.1 . As seguintes métricas da paisagem foram calculadas: tamanho; índice de borda; área central e forma dos fragmentos [1,2].
Os fragmentos foram classificados conforme a área (A) ocupada.  Para isso, adotou-se os critérios: fragmentos muito pequenos (A < 5 ha); fragmentos pequenos (5 ha ≤ A < 10 ha);  fragmentos médios (10 ha ≤ A < 100) e fragmentos grandes (A > 100 ha) [1]. A classificação foi realizada no software ArcGIS 10.1, com a ferramenta Select by attributes.

Resultados e Discussão

No município de Paraíba do Sul resta cerca de 7% de área florestada (4.360 hectares) distribuída em 212 fragmentos. O maior fragmento possui 279 hectares e está localizado em Engenheiro Carvalhais nas coordenadas centrais -22.091684, -43.388815 (23S). A classe de fragmentos médios representou 54,5% do total (111). Apenas 4 fragmentos florestais foram classificados como grandes (1,9%), entretanto correspondem a 16,7% da área total florestada (730 ha). Os 61 fragmentos classificados como pequenos representam 10,4% (453,8 ha). Os fragmentos muito pequenos e pequenos representam apenas 13,2% da área total florestada, mesmo somando 97 fragmentos nas referidas classes. 

A classe dos fragmentos muito pequenos apresentou o menor índice de borda (29.054,4 m) enquanto que fragmentos médios tiveram o maior índice (346.489,5 m). Quando comparadas, a classe de fragmentos grandes possui menor quantidade total de borda (47.577,2 m) que os fragmentos pequenos (68.229,4m). No entanto, a contribuição em área total dos fragmentos grandes é superior aos pequenos.
Considerando 30 m a partir da borda, a área central é 50,48 ha para classe dos fragmentos muito pequenos, 195,69 ha para pequenos, 2134,87 ha para médios e 589,72 ha para grandes. O índice de área central foi de 39,35% para fragmentos muito pequenos, ou seja, 60,65% da área desta classe estariam sob efeito de borda. Pode-se constatar que fragmentos maiores sofrem menor influência da borda, através dos índices 48,48%, 68,00% e 82,56% para as classes de fragmentos pequenos, médios e grandes, respectivamente.
Os valores de índice de forma revelaram que os fragmentos muito pequenos e pequenos apresentaram formato mais regular (1,29 e 1,34, respectivamente) quando comparados aos fragmentos médios e grandes (1,62 e 2,48, respectivamente).  O índice de forma seria 1 se todas as manchas tivessem formas circulares. À medida que a irregularidade da forma cresce o valor do índice aumenta [1,2]. No entanto, mesmo apresentando formatos mais irregulares, os fragmentos maiores estão sob menor efeito de borda que os menores, visto que apresentam uma relação borda/área melhor, isto é a proporção de área é superior a de borda.

Conclusões
Em Paraíba do Sul existem 212 fragmentos florestais cobrindo 7% do território municipal. De forma geral, possuem área reduzida e estão sob intenso efeito de borda. Apenas 4 fragmentos tem área superior a 100ha, sendo estes prioritários para a conservação.

Referências Bibliográficas
[1] Juvanhol, R.S.; Fiedler, N.C.; Santos, R.A; Prirovani, et al. Análise Espacial de Fragmentos Florestais: Caso dos Parques Estaduais de Forno Grande e Pedra Azul, Estado do Espírito Santo. Floresta e Ambiente, 2011. Ago 18(4):353-364.
[2] Silva, V.V. Médio Vale do Paraíba do Sul: Fragmentação e Vulnerabilidade dos Remanescentes de Mata Atlântica 2002. 123f. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – UFF, Niterói.
[3]Turner, M. G. & Gardner, R.H., eds 1990. Quantitative methods in landscape ecology: the analysis and interpretation of landscape heterogeneity. New York: Springer-Verlag, in press. 416-442.