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terça-feira, 26 de julho de 2011

Famílias Botânicas 03 - Fabaceae

            Fabaceae é considerada por muitos autores a terceira maior família botânica. Outra denominação dada a família é Leguminosae referindo-se ao fruto característico da família: O Legume. Muitas espécies são utilizadas na alimentação humana tendo portanto, uma enorme importância econômica. Geograficamente possui distribuição cosmopolita. São aproximadamente 18.000 espécies em mais de 650 gêneros. É subdividida em 3 subfamílias: Faboideae (ou Papilionoideae), Caesalpinioideae e Mimosoideae, (alguns autores mencionam uma quarta subfamília: Cercideae).


             Muitas espécies da família apresentam simbiose de suas raízes com bactérias do gênero Rhizobium, havendo formação de nódulos que fixam o nitrogênio, uma característica ecológica de extrema importância. Estas espécies são comumente empregadas na adubação verde, algumas delas são: O feijão-guandu (Cajanus cajan), o lab-lab (Lablab purpureus), a crotalária (Crotalária sp.) e a alfafa (Medicago sativa).
                                                          Nódulos radiculares em Fabaceae
Hábito e folhas
             Considerando-se o tamanho da família o hábito dos espécimes é variado; podem ser herbáceas, trepadeiras (Arbus precatorius L.), arbustivas e arbóreas.De modo geral as folhas são alternas e compostas, podem ser pinadas, bipinadas ( recompostas), imparipinadas ou trifolioladass. Estípulas  comumente  estão presentes, são de tamanho variado e algumas vezes transformadas em espinho. Na base da folha e dos folíolos existem articulações chamadas, respectivamente, de pulvinos e pulvínulos. Algumas espécies do gênero Mimosa usam essas articulações para movimentar-se rapidamente em resposta a agentes externos, alguns autores denominam essas plantas como sensitivas.

Flores
            Suas flores são andróginas( bissexuadas), zigomórfa ou actinomorfas, heteroclamídeas. O cálice geralmente pentâmero pode ser gamossépalo ou  dialissépalo, com prefloração aberta, valvar ou imbricada. Androceu geralmente mente com estames em número duplo ao de pétalas, alguns gêneros podem ter em maior ou menor número. Gineceu de ovário súpero, unicarpelar, unilocular, às vezes divididos por falsos séptos, em geral multiovulado.

Frutos
            O fruto é mais comumente do tipo legume, monocarpelar, seco e deiscente. Às vezes pode ser indeiscente (Arachis), sâmara (Machaerium), entre outros.
                                          Legume, fruto característico da família Fabaceae
Subfamílias
Caesalpinoideae
Nesta subfamília, as folhas podem ser bipinadas ou paripinadas. A pré-floração é imbricada carenal;as sementes possuem pleurograma.


Faboideae (Papilionoideae).
As Leguminosae, Papilionoideae são caracterizadas pelas folhas geralmente imparipinadas, na maioria trifolioladas ou plurifolioladas, flores com simetria zigomorfa e corola com prefloração imbricada vexilar; sementes com a região do hilo bem delimitada e sem pleurograma
Detalhe da pré floração em faboideae.


Mimosoideae
Com exceção do gênero Inga (folhas paripinadas, geralmente bijugadas) as folhas são recompostas (bipinadas) ou seja, a folha é subdividida em folíolos e estes se subdividem em foliólulos. Nectários extra-florais (Glândulas) estão comumente presentes. A pré-floração é valvar. Estames podem ser numerosos (polistemones). Sementes com pleurograma.
 
Samanea tubulosa Luguminosae -Mimosoideae. Detalhe do pulvino motor e estípulas laterais.
Samanea tubulosa Luguminosae -Mimosoideae. Detalhe dos nectários extraflorais.


http://florabrasiliensis.cria.org.br/search?taxon_id=6
http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/especies_arboreas_brasileiras/arvore/CONT000fu17wvyo02wyiv807nyi6s9ggg9il.html
http://www.botany.hawaii.edu/faculty/carr/fab.htm

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Famílias Botânicas 02 - Lauraceae

            Família das madeiras aromáricas ou fétidas. Destaque na composição florística da Mata Atlântica e em florestas da região Sul, sendo freqüentemente a família em maior número de espécies bem como de indivíduos. Entre as Lauraceae estão algumas das espécies produtoras de madeira de lei.
            Os primeiros registros relativos à utilização das espécies desta família datam de 2.800 A.C, sendo originários da Grécia antiga. Isso influenciou o nome de muitos gêneros que fazem uma alusão àquela época. Laurus L., por exemplo, vem do celta “lauer” que significa verde ou ainda “laus” que significa louvor e o gênero Phoebe, tem o seu nome relacionado ao deus Apolo. Outras espécies utilizadas desde a Grécia antiga são as pertencentes ao gênero Cinnamomum Schaeffer, que significa “caneleira” em grego.
Esta é uma das mais complexas famílias da flora brasileira, do ponto de vista taxonômico, pelo grande número de espécies e por serem utilizados caracteres crípticos na distinção de gêneros e espécies. Na mata atlântica é uma das famílias mais representadas, tanto em número de espécies quanto de indivíduos.

Representantes: Persea americana L. (abacateiro)
                          Laurus nobilis L. (louro)
                          Cinnamomum camphora (cânfora)
                          Cinnamomum spp (canelas)
                          Cassytha filiformis ( Cipó chumbo)
                          Aniba roseodora (pau rosa)
          Persea americana L.- Abacate


 Laurus nobilis L. (louro)

Possuem hábito arbóreo (mais frequente) ou arbustivo e geralmente apresentam lenticelas bem demarcadas no caule. As folhas são alternas  e simples, coreáceas e aromáticas (cheiro característico proveniente de células cheias de óleos e essências aromáticas voláteis).Estipulas ausentes. A venação poder se trinérvea (Cinnamomun), mas não é regra geral.  Cassytha trata-se de uma exceção na família, é um gênero de plantas holoparasitas, escandentes e àfilas.

Inflorescência: Cimosa
Flores: Ditas perfeitamente ciclicas Bissexuadas, Trímeras, Diminutas, não coloridas, diclamídeas, homoclamídeas.
Androceu: 2, 3 ou 4 ciclos de três estames com etaminódios frequentemente presentes. Anteras com deiscência valvar.
Ovário: Súpero, unicarpelar, uniovulado.




         
Esquema baseado na flor de Persea spp.

Na identificaçaõ da Família as características mais importantes são o número e a posição dos lóculos das anteras, bem como a presença, tamanho e forma da cúpula na base dos frutos.
                                                            Aniba roseodora (pau rosa)

                O Pau Rosa ou Brazilian Rosewood (Aniba rosaeodora) é uma árvore pertencente à família Lauraceae encontrada na floresta amazônica brasileira. Dela, extraí-se o famoso óleo essencial de Pau Rosa, óleo que apresenta um suave cheiro doce proveniente, principalmente, do alto teor de Linalol existente nesta espécie. Tal óleo foi, e continua sendo, largamente utilizado pela indústria de perfumaria internacional. É o caso do famoso CHANEL No. 5, imortalizado pela atriz norte-americana Marilyn Monroe, e do igualmente conhecido Ungaro Pour Homme, perfumes que contêm óleo essencial de Pau Rosa em suas composições. Porém, infelizmente, o Pau Rosa está ameaçado de extinção em conseqüência da exploração não sustentável da madeira que atingiu seu auge nas décadas de 60 e 70. Hoje, por exemplo, há restrições do IBAMA quanto ao corte do Pau Rosa e praticamente todo óleo essencial produzido acaba sendo exportado.
                O óleo essencial de Pau Rosa é extraído da madeira nativa e, com o objetivo de preservar a espécie, surgiram, no final dos anos 80, alguns componentes para substituir o óleo natural. Foi o que aconteceu com o Linalol Sintético. Após seu desenvolvimento ele, de fato, acabou sendo adotado pelos mercados menos exigentes (como o de sabonetes), mas foi rejeitado por completo pela alta perfumaria. Então, eis o cenário atual: não há registros de um produto similar ao óleo essencial de Pau Rosa "original". No entanto, é bom frisar que já existem pesquisas com resultados animadores sobre a utilização das folhas do Pau Rosa para a obtenção do Linalol, método que não exige a derrubada da madeira.
                   A proposta do Brasil de incluir o Pau-rosa (Aniba rosaeodora) na lista de espécies controladas foi aprovada em 22 de março de 2010, por unanimidade, pelas delegações dos países presentes à 15ª Reunião da Convenção Internacional sobre Espécies da Flora e Fauna Ameaçadas de Extinção (COP 15 da Cites) em Doha, no Catar. Isto significa que todos os países signatários da Convenção ajudarão o Brasil no combate ao comércio ilegal desta espécie.
 Saiba mais em:
http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/especies_arboreas_brasileiras/arvore/CONT000fu1i7dce02wyiv807nyi6s7lwligj.html
http://www.botany.hawaii.edu/faculty/carr/laur.htm
http://hua.huh.harvard.edu/china/mss/volume07/Lauraceae.pdf
http://www.jardimdeflores.com.br/ECOLOGIA/A31paurosahist.htm