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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Identificação Dendrológica

            Segue abaixo, algumas características que auxiliam na identificação dendrológica de algumas famílias botânicas ( espécies arbóreas):

1 ANACARDIACEAE
Ordem Sapindales.
Arbustos ou árvores.
- Aromáticos (cheiro de terebintina)
- Folhas compostas (imparipinadas) ou menos freqüente simples (Anacardium, Lithraea, Mangifera) alternas, sem estípulas; geralmente com nervuras laterais terminando na margem da folha. Margem inteira ou serreada.
- Schinus (aroeira); Tapirira;
           
2 ANNONACEAE
Árvores, raramente arbustos ou lianas
Odor forte característico (também nos ramos)
- Lenticelas
- Fibras longas na casca (envira)
- Folhas simples, alternas dísticas, sem estípulas, margem inteira; as vezes com domacias.
- Eixo dos "raminhos" geralmente em zig-zag;
- Annona, Rollinia (araticum), Xylopia.
Batida de facão: lembra chamas de fogo
Domácias

3 APOCYNACEAE
Ervas, arbustos, lianas e árvores.
Geralmente com látex branco – frequentemente visível apenas nos ramos novos (folhas opostas sempre com látex branco). Geralmente apresenta glândula na base do limbo. Folhas simples, alternas, opostas ou verticiliadas, sem estípulas, raminhos com muitas lenticelas;
- Aspidosperma (peroba), Tabernamontanae (Peschiera syn.) (leiteiro).

4 ARALIACEAE
Arbustos, árvores, ervas ou lianas.
- Folhas compostas digitadas (raramente simples Hedera, Hydrocotyle), alternas (muito raro opostas), geralmente com estípulas intrapeciolares.
- Schefflera morototoni (Didymopanax syn.) (mandiocão), Dendropanax cuneatus (maria-mole).

5 ASTERACEAE
Ervas, subarbustos, arbustos menos freqüente árvores ou lianas.
Látex e espinhos as vezes presente.
- Folhas simples, alternas ou compostas, sem estípulas, geralmente pilosas; casca interna geralmente escura e arenosa.
Eremanthus erythropappus (Candeia)
- Piptocarpha (vassourão-branco), Vernonia (vassourão-preto).

6 BIGNONIACEAE
- Folhas compostas, opostas, sem estípulas;
- Folhas digitadas, com folíolos longos e peciolados: Tabebuia, Zeyhera,
Cybistax (ipês); exceto: Tabebuia cassinoides (caxeta) - folhas simples
opostas;
- Folhas bipinadas: Jacaranda spp. (caroba, jacarandá mimoso).

7 BORAGINACEAE
Casca interna com fibras dispostas irregularmente ( Difícil de ser cortada);
Casca interna escurece rapidamente por oxidação;
Ervas, arbustos, árvores e raramente lianas.
È comum as folhas se originarem na interseção entre os ramos;
Folhas simples – alterna (oposta em Cordia nodosa), sem estípulas, margem lisa ou serreada. Muitas espécies apresentam indumento áspero.

8 BURSERACEAE
Árvores ou arbustos
 Casca lisa, geralmente esfoliante e aromáticas (odor de incenso ou breu).
Resinosas (cor de verniz, esbranquiçada ou incolor)
- Formação de massas cristalizadas brancas ao secar (Resina endurecida por oxidação).
Folhas alternas compostas, geralmente imparipinadas, sem estípulas, folíolos geralmente com pulvinulos, folíolo terminal geralmente flexionado (geniculado).
Protium na Mata Atlântica do RJ: P. heptaphylum, P. warmingianum, P.widgrenii, P. almecega, P. blanchetii

9 CANNABACEAE
Ervas, arbustos, árvores ou lianas
- Folhas simples ou compostas, com estípulas, venação primária trinervada, margem geralmente serreada, alternas (raramente opostas). Trema micanthra apresenta indumento áspero principalmente na face abaxial.

10 CARICACEAE
- Arbustos, árvores, raramente ervas ou lianas
- Tronco geralmente com acúleos, geralmente latescentes
- Folhas: Alternas (raramente opostas);Simples (lobadas) ou compostas; Com ou sem Estípulas (às vezes modificadas em espinhos).Margem inteira ou serreada.
Jacaratia spinosa – Mamão jaracatiá Vasconcellea quercifolia- mamoeiro-do-mato

11 CECROPIACEAE (URTICACEAE)
Ervas, arbustos, árvores ou lianas
- Folhas simples, alternas (raro opostas), geralmente lobadas a palmadas;. margem inteira ou serreada; Estípulas laterais ou terminais (amplexicaules, deixam cicatrizes) presentes.
- com ramificação somente na altura superior do tronco (Cecropia), Pecíolos longos ( formação de puleiros naturais).
- Tricomas urticantes freqüentes em ervas e arbustos, indumento aracnóide nas folhas e pêlos amarronzados comuns em Cecropia e Pourouma.
- Árvores podem apresentar raízes escora.
- Contêm seiva aquosa que escurece por oxidação.
-Cecropia apresenta forte associação com formigas (internós ocos e triquílias).
- Cecropia (embaúba), Coussapoa (mata-pau).

12 COMBRETACEAE
Árvores, arbustos ou lianas
_ Tronco geralmente com sapopemas
_ Folhas:Simples; Estípulas ausentes ou vestigiais; Alternas ou opostas; Agrupadas no ápice dos ramos (Terminalia); Glândulas na lâmina e/ou no ápice do pecíolo; Domáceas nas axilas da nervuras secundárias.

13 CRYSOBALANACEAE
Arbustos, árvores ou lianas
Casca interna geralmente avermelhada e silicosa;
_ Folhas: Simples; Com estípulas (caducas ou persistentes); Face abaxial glabra ou pilosa; Filotaxia alterna. Hirtella heblecada na Mata atlâncita; Licania tomentosa (oiti) em arborização urbana.

14 CLUSIACEAE (GUTTIFERAE)
Arbustos ou árvores
- Folhas simples, opostas, sem estípulas; Coriáceas (quando quebradas fazem barulho “clac- clac”; Padrão de nervação bem característico (Tipo Clusia); margem inteira.
- Folhas e Caule com látex (de cor variada, freqüentemente amarelado).
- Gema apical Inclusa.
 Calophyllum brasiliensis  (guanandi), Rheedia (bacopari), Clusia. Destaque em áreas de restinga.
                                            (Clusia lanceolata)
                                            (Garcinia sp.)
 

15 ERYTHROXYLACEAE
Folhas simples alternas espiraladas, margem inteira e estípulas persistentes formando ramentas.
Erythroxylum pulchrum  na mata atlântica

16 EUPHORBIACEAE
- Folhas simples, alternas, espiraladas, com estípulas, em geral um par de
glândulas na união do pecíolo com o limbo ou na base deste, geralmente margem serreada:
- Folhas com glândulas: Tetrorchidium;
- Folhas com glândulas e látex: Sapium (leiteiro), Croton (urucurana);
- Folhas sem látex: Alchornea (tapiá), Hieronyma (licurana).

 17 FLACOURTIACEAE (SALICACEAE)
- Folhas simples, alternas, dísticas, com estípulas, margem serreada ou crenada
Pontos e traços translúcidos (raramente ausentes); Estípulas pequenas ou caducas.

- Casearia (guaçatunga), Xylosma (sucará).

18 LAMIACEAE
Poucos representantes arbóreos; ervas ou arbustos.
Ramos geralmente quadrangulares; ou com um achatamento.
– Folhas simples, raramente compostas (Vitex); sem estípulas, geralmente serreadas
- oposta cruzada. As vezes com glândulas na base do limbo.
 Aegiphila sellowiana – Tamanqueira.
- digitada, oposto cruzada (Vitex –Tumarâ)
- simples oposta cruzada (Tectona grandis (Teça); Gmelina arbórea (Guimelina))

19 LAURACEAE
- Folhas simples, alternas, sem estípulas, geralmente lanceoladas; com domácias;
planta aromática, casca interna arenosa (exceto Ocotea puberula - canela-sebo,
guaicá):
- Ocotea, Nectandra, Cinnamomum, Persea, Aniba (canelas).

20 LECYTHIDACEAE
Árvores características de áreas não perturbardas.
Tronco: - Fibras na casca (envira)
- Odor de linhaça
- Fissuras profundas freqüentes
Folhas:
- Alternas (às vezes agrupadas no ápice dos ramos)
- Simples
- Sem estípulas ou inconspícuas/caducas
Mata Atlântica do RJ: Cariniana estrellensis, C. legalis, Lecythis pisonis e L. lanceolata

21 LEGUMINOSAS/FABACEAE
- Folhas compostas, alternas, com estípulas e pulvinos (articulações); fruto
legume/sâmara.
MIMOSACEAE/MIMOSOIDEAE
- Folhas bipinadas com glândulas no ráquis:
- Mimosa (bracatinga), Acacia, Piptadenia (angico), Enterolobium (timbaúva);
CAESALPINACEAE/CAESALPINIOIDEAE
- Folhas bipinadas sem glândulas no ráquis:
- Caesalpinia (sibipiruna), Schizolobium (guapuruvú);
- Folhas paripinadas:
- Senna (chuva-de-ouro), Cassia, Copaifera (pau-de-óleo), Pterogyne
(amendoim);
- Folhas bifoliadas:
- Bauhinia (pata-de-vaca), Hymenaea (jatobá);
FABACEAE/FABOIDEAE
- Folhas imparipinadas; Dalbergia (jacarandá), Myrocarpus (cabreúva),
Centrolobium (araribá).

22 MALPIGHIACEAE
-Árvores, arbustos, ervas ou lianas
Folhas: Simples; Com estípulas, às vezes intra ou interpeciolares; Filotaxia oposta; Pêlos em forma de “T” (tricomas malpighiáceos); Nectários extraflorais no pecíolo ou face abaxial.

23 MALVACEAE
Engloba os gêneros anteriormente considerados em Tiliaceaea, Sterculiaceae e Bombacaceae
Presença de acúleos no tronco em alguns gêneros (Bombacaceae), e sapopembas (Bombacaceae).
 Folhas: Alternas; Simples (inteiras, lobuladas ou palmadas) ou compostas; Margem inteira ou serreada; Venação trinervada ou palmada; Indumento (tricomas estrelados ou escamas); Com estípulas; Pecíolo dilatado no ápice ou na base ou em ambos (formato de halter).

24 MELASTOMATACEAE
- Folhas simples, opostas, sem estípulas, curvinérvias com 3 a 9 nervuras primárias ligadas a segundárias transversais.
- Tibouchina (quaresmeira), Miconia (jacatirão).

25 MELIACEAE
-Tronco exsuda resina incolor.
- Folhas compostas, alternas (raro opostas), sem estípulas, as vezes com gema apical (guarea)
- Folhas pinadas: Cedrela (cedro), Cabralea (canjerana), Guarea (baga-demorcego),
Trichilia
- Folhas (às vezes!) trifolioladas: Trichilia (catiguá).
-Folhas bipinadas (Melia azedarach)
- Folíolos em geral opostos mas também alternos, com margem inteira, nectários extraflorais no raquis e no pecíolo. Exalam odor desagradável quando secas.
-Glândulas dispersas na lâmina em algumas espécies.

26 MORACEAE
- Ervas, arbustos, árvores ou lianas
- Raízes superficiais e adventícias.
- Folhas simples, alternas (exceção Bagassa, opostas) com estípula terminal cônica, Venação broquidódroma (fechada), Glândulas na base da folha ou na nervura central (Ficus).
- Ficus (figueira).

27 MYRISTICACEAE
- Casca interna com seiva avermelhada
- Ramos plagiotrópicos (horizontais), subverticilados no tronco
- Internós bem definidos
Folhas simples, alternas, sem estípulas, dísticas; margem inteira; pecíolo caniculado; geralmente aromáticas.
- Virola (bicuíba, bocuva), Myristica (noz-moscada).

28 MYRTACEAE
- Folhas simples, opostas, sem estípulas, margem inteira, com pontos translúcidos
aromáticos; nervuras secundárias geralmente numerosas, paralelas e pouco
visíveis. Nervura marginal coletora. E com cheiro característico ( de goiaba verde).
- Myrcia (guamirim), Eugenia (pitanga), Campomanesia (gabiroba).

29 PROTEACEAE
-Tronco: odor característico nos ramos (carne-de-vaca).
- Folhas simples ou compostas pinadas, alternas, sem estípulas; lâminas foliares
com acentuado polimorfismo (inteiras, serreadas ou lobadas), geralmente
coriáceas, pilosas no dorso; ritidoma com lenticelas pequenas e alinhadas, casca
interna tipicamente trançada e arenosa:
- Roupala (carvalho-brasileiro), Grevillea (grevilha).

30 PHYTOLACCACEAE
-Casca interna geralmente esponjosa
- Folhas simples, alternas,com ou sem estípulas, glabras, coriáceas, geralmente margem crespa, pecíolo alongado.

- Phytolacca (celolão), Seguieria (pau d’alho).

31 POLYGONACEAE
Ervas, arbustos, árvores ou lianas
_ Ramos jovens geralmente articulados, com nós e internós bem marcados, geralmente ocos
-Folhas:Simples. Alternas, raramente oposto-cruzadas; Estípulas formando ócrea
_ Geralmente dióicas

32 RUBIACEAE
Arbustos, árvores, ervas e raramente lianas.
Folhas – Simples com estípulas interpeciolares (ou intra)
Arcytophyllum muticum Psychotria recemosa Calycophyllum spruceanum
(estipulas decíduas deixam uma cicatriz na altura do pecíolo)
- Folhas simples, opostas-cruzadas, com estípulas interpeciolares:
- Bathysa (queima-casa), Amaioua (carvoeiro), Posoqueira (baga-de-macaco),
Psychotria, Coffea.

33 RHAMNACEAE
Folhas:
 Simples, Com ou sem estípulas; Venação primária trinervada ascendente ou reta; Alternas ou opostas

34 RUTACEAE
- Folhas simples ou compostas, trifolioladas ou imparipinadas, alternas ou opostas,
sem estípulas:
- Trifolioladas opostas: Balfourodendron (marfim), Esenbeckia (guatambu folha
simples);
- Imparipinadas alternas, com pontos translúcidos e odor cítrico; ritidoma
geralmente com acúleos: Zanthoxylum (fagara, mamica-de-porca).

35 SAPINDACEAE
- Folhas simples ou compostas, trifolioladas ou imparipinadas terminando em
pequena ponta (folíolo abortado), alternas, sem estípulas.
Ráquis alada em algumas espécies
Folíolos geralmente alternos
- Simples (Dodonea viscosa);
- Trifolioladas de margem serreada: Allophyllus (vacum, chal-chal);
- Imparipinadas de margem inteira: Matayba (miguel-pintado, camboatá); de
margem serreada: Cupania (cuvatã, camboatá).
Sapindus saponaria (sabão-de-soldado)

36 SAPOTACEAE
Latescentes, látex geralmente branco
_ Indumento
- Tricomas malpiguiáceos associados a pêlos simples.
Folhas:
- Alternas (raramente opostas)
- Simples
- Sem estípulas
- Agrupadas no ápice dos ramos
- Nervuras “tipo clusia”
- Folhas simples, alternas, coriáceas, altamente laticífera:
- Chrysophyllum - aguaí, mata-olho, Pouteria - leiteiro-preto.

37 SIMAROUBACEAE
Árvores ou arbustos
Folhas compostas (imparipinadas), alternas ou raramente opostas, sem estípulas, ocasionalmente com glândulas no ápice dos folíolos.
Sabor amargo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Morfologia externa de Caules.

            Nos vegetais, a  estrutura responsável pela conexão entre as raízes e as folhas é o caule. Este órgão o qual tem  origem a partir do caulículo (epicótilo) do embrião. Trata-se do órgão da planta que fornece o suporte mecânico para folhas, flores e frutos sendo também ,responsável pela disposição destas partes no vegetal. É importante mencionar que esta distribuição não é ao acaso; o material genético é quem dita a arquitetura das plantas  de modo que as folhas recebam luz para  realizarem fotossíntese , as flores estejam em locais onde possam ser polinizadas e as sementes dispersas.
A morfologia interna do caule revela um sistema de vasos que promovem o transporte ascendente de água e sais minerais até as folhas e a coleta e a distribuição dos produtos orgânicos ao longo do corpo da planta. Alguns tipos especiais de caule podem atuar como fonte de reserva, realizar fotossíntese  ou ainda participar na propagação vegetativa da planta.
Ao longo de um caule existem regiões denominadas nós, locais que possuem gemas laterais das quais emergem folhas, ramos ou flores. A região entre dois nós é denominada entrenó. Como veremos mais adiante, em alguns tipos morfológicos essas estruturas são bem visíveis. No ápice do caule encontra se a gema apical, responsável pelo crescimento vertical do vegetal. A presença de gemas é notoriamente uma grande diferença entre caule e raiz.

Dois sistemas de ramificação podem ser observados:

No sistema monopodial é possível identificar uma única gema apical mais desenvolvida e as gemas laterais distribuídas ao longo de um eixo principal, formando dessa forma, uma estrutura que lembra um cone. Já no sistema simpodial, a diferenciação entre gemas laterais e apical não é possível uma vez que a gema apical perde sua dominâcia.
Sistema Monopodial em Araucaria angustifolia
 Sistema Simpodial em Caesalpinia ferrea

Caules podem ser herbáceos quando tratamos de ervas, sublenhosos referindo-se a subarbustos ou Lenhosos  para árvores de grande porte.
Quanto ao habitat podem ser classificados em aéreos, subterrâneos ou aquáticos.
Caules aéreos:

Tronco - caule ramificado no ápice, resistente, robusto e lenhoso, típico das plantas arbóreas. Um tipo especial de tronco é o que ocorre, por exemplo, nas Paineiras (Chorisia speciosa) , o tronco suculento que apresenta- se intumescido pelo acúmulo de água.

 Tronco em Chorisia speciosa
Estipe - caule cilíndrico, nós e entre nós bem demarcados, sem ramificações laterais e dotado de coroa de  folhas situadas no ápice, como nas palmeiras;

Colmo - caule com nós nítidos e entre nós, formando os populares gomos, como no bambu e na cana-de-açúcar. Quando o colmo é preenchido ele é dito cheio, caso contrário, como acontece nos bambus, ele é vazio ou fistuloso.

Haste -  Caule delicado e flexível por apresentar um pequeno diâmetro, comum em plantas herbáceas, geralmente é clorofilado e não lignificado.

Entre os caules rastejantes ( não tem capacidade de sustentação), destacam-se:

Estolonífero ou estolão: caule que cresce paralelamente à superfície do solo formando raízes adventícias e ramos aéreos em nós consecutivos, em nós intercalados ou, às vezes, vemos vários nós e entrenós sem que as raízes e ramos se formem. Este tipo de caule pode servir à reprodução vegetativa da planta, e de cada nó pode  desenvolver uma nova planta, que finalmente se torna independente. Exemplo: morangueiro (Fragaria vesca - Rosaceae).

 Sarmentoso ou prostrado: é o cale que cresce paralelamente ao solo, mas ao contrário do que acontece com estolão, possui somente um ponto de enraizamento. Ex Abóbora
(Cucurbita pepo - Cucurbitaceae).

Caule Volúvel: Esse caule depende de um suporte no qual se enrola e o vegetal consegue crescer.

Caules subterrâneos: uma das funções primárias do caule é a de expor as folhas à luz, mas isso não ocorro com os caules subterrâneos e portanto, podem ser considerados formas incomuns de caule. Esse tipo de caule geralmente está associado às funções de armazenamento de reservas e formas de propagação vegetativa além de servirem para garantir a vida da planta quando as partes aéreas não sobrevivem, quer pelo frio, seca ou queimada. Segue abaixo alguns tipos de caules subterrâneos.

Tubérculo - caules que armazenam substâncias nutritivas, como a batata inglesa; os populares "olhos" da batata são gemas laterais, fato que determina sua natureza caulinar.

Rizoma- caule alongado mais ou menos cilíndrico, com folhas modificadas em catafilos. Normalmente se desenvolve de maneira paralela à superfície terrestre. O rizoma apresenta todas as características de um sistema caulinar comum: nós, entrenós e gemas além de habitualmente formar raízes adventícias. Exemplo: bananeira (Musa paradisiaca, Musaceae), lírio-do-brejo (Hedychium ronarium - Zingiberaceae) e espada-de-São-Jorge (Sanseviera trifasciata - Liliaceae).
                                                     Rizoma em Musa paradisiaca

Bulbo - sistema caulinar comprimido verticalmente, onde o caule propriamente dito é reduzido a um “disco basal” do qual partem muitos catafilos (folhas midificadas) densamente dispostos, os mais externos secos e os mais internos suculentos. Em plantas como a cebola (Allium cepa - Liliaceae) o caule propriamente dito corresponde a uma região chamada de prato, de onde partem as raízes e um conjunto de catáfilos sendo que os mais extensos são desidratados, enquanto os mais internos acumulam substâncias nutritivas e constituem a porção comestível da cebola. No alho (Allium sativus -Liliaceae) o bulbo é composto de bulbos menores e cada um deles com a mesma estrutura básica. O lírio-japonês (Lilium longiflorum - Liliaceae) possui um bulbo composto por catáfilos derivados de folhas internas que não se dispõem concentricamente. Trata-se do bulbo escamoso.
                                                                                           
Modificações e adaptações caulinares:

Rizóforo: O rizóforo é um tipo de caule com crescimento vertical orientado para cima (geotropismo positivo), produzido por algumas plantas além do seu eixo caulinar "normal". Um sistema de rizóforos pode auxiliar a sustentação ou estabilização da planta, ou aumentar a capacidade de exploração do solo adjacente. As árvores de manguezal, particularmente o mangue-vermelho Rhizophora Mangle, formam rizóforos aéreos (não-subterrâneos) que crescem com geotropismo positivo, e em contato com o solo pantanoso do manguezal produzem raízes adventícias que constituem um eficiente sistema de sustentação em um ambiente instável, alagadiço. Saiba mais
Rizóforo em Rhizophora Mangle (Fonte:Bio Digital )

Cladódio: caules laminares que assumem o aspecto de folhas e realizam fotossíntese, apresentam crescimento contínuo pois possuem gema apical ,podendo eventualmente agir como órgão de reserva de água (Ex.: alguns cactos).

São exemplos de modificações caulinares:

Espinhos caulinares: são estruturas caulinares transformadas para a função de defesa contra a predação. Originam-se a partir de  gemas que se desenvolvem em ramos curtos e pontiagudos e por isso se encontram sempre nas axilas das folhas. Ex.: limoeiro (Citrus sp). Alguns espinhos possuem origem foliar (ex: espinhos de Cactaceae).

 Acúleos:  é comum nos depararmos com a expressão “espinhos” de roseira e paineira, mas nestes casos não se tratam espinhos verdadeiros, mas sim projeções epidérmicas sem vascularização, portanto são acúleos.

Gavinhas: são estruturas caulinares que se enrolam e servem como suporte e fixação para trepadeiras. São sensíveis ao contato. Ex.: maracujá (Passiflora spp).  Podem também ter origem foliar e mais raramente a partir da raiz.

Domácias: quaisquer modificações estruturais do caule (ou da folha), que permitam o alojamento regular de animais. Ex.: O caule oco da embaúba (Cecropia  spp.) que é habitado por formigas.