Seja bem vindo ao Mato e Cia. Aqui você encontrará materiais destinados ao curso de graduação em Engenharia Florestal e áreas afins. As fotos podem ser utilizadas, mas não se esqueça de mencionar o blog como fonte.







sábado, 19 de novembro de 2011

Sementes Florestais: Coleta e Manejo






Dendrologia

 CHRYSOBALANACEAE -Licania tomentosa
 CLUSIACEAE
 CLUSIACEAE
CLUSIACEAE
 LAURACEAE- Cinnamomum burmanni
 EUPHORBIACEAE - Joanesia princeps
 EUPHORBIACEAE- Joanesia princeps
EUPHORBIACEAE- Joanesia princeps
 RHAMNACEAE - Colubrina glandulosa
RHAMNACEAE- Colubrina glandulosa
 RHAMNACEAE- Colubrina glandulosa
RHAMNACEAE -Colubrina glandulosa
 MALPIGHIACEAE - Byrsonima sericea
 MORACEAE
MORACEAE
 MYRISTICACEAE- Virola bicuyba
 MYRTACEAE- Pisidum guajava
 MYRTACEAE- Pisidum guajava
LECYTHIDACEAE - Lecythis pisonis
LECYTHIDACEAE - Lecythis pisonis
COMBRETACEAE- Terminalia brasiliensis 
COMBRETACEAE- Terminalia brasiliensis

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Parque Municipal Natural do Curió (Paracambi, RJ)

     O Parque Natural Municipal do Curió é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral administrada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Paracambi, interior do estado do Rio de Janeiro. Criado através do Decreto Municipal N° 1001 de  29 de janeiro de 2002, o parque  abrange  913 hectares de mata atlântica remanescente (Figura 01), tratando-se do segundo maior parque municipal do estado e, portando, de extrema importância ecológica (INSTITUTO TERRA).  Essa área de mata é importantíssima no corredor ecológico Tinguá-Bocaina, que busca aumentar a conexão entre os remanescentes florestais inseridos no Parque Nacional da Serra da Bocaina e na Reserva Biológica Tinguá. A floresta inserida no Parque do Curió é uma das áreas principais nessa conexão. Seu maior potencial está na avifauna, com destaque para o Curió (Oryzoborus angolensis), pássaro que deu nome a UC (Unidade de Conservação), entre outros. (PORTAL PARACAMBI). O parque se situa em meio  à Sub-Bacia Hidrográfica do Rio dos Macacos, possui cachoeiras e rios, sendo toda água vertida para o Rio Guandu, o qual abastece toda região metropolitana do Rio de Janeiro.
Figura 01. Área do Parque do Curió, Localizado  em Paracambí, junto à divisa com os municípios de Engenheiro Paulo de Frontin e Mendes , RJ.

         A história da região está intimamente ligada com a história da Cia Têxtil Brasil Industrial (1871), que promoveu o desenvolvimento da região. Hoje o prédio é conhecido como a Fábrica do Conhecimento. Ainda é possível observar no parque ruínas do aqueduto da fábrica. Ao longo da caminhada pelo parque ainda é possivel observar alguns elementos  da época de funcionamento da fábrica. Como exemplo, é possivel observar uma espécie de portal de entrada sob o qual passavam tubos responsável pelo tranposte de água.

 Ruínas do portal de entrada.
Tubo responsável pelo tranporte de água.

      O Parque e seu entorno tem um enorme potencial turístico, possibilitando caminhada em trilhas e esportes radicais. Há ainda um importante patrimônio histórico em seu entorno. Exemplos são o prédio da antiga Fábrica Cia. Têxtil Brasil Industrial, tendo seu alvará de funcionamento assinado pela princesa Isabel em 13 de setembro de 1871, um marco da arquitetura industrial inglesa no Brasil, e a muralha do açude da cascata, que foi construída em 13 de julho de 1875 com a finalidade de criar um reservatório de água para suprir a região nos períodos de seca.
         O PNMCP apresenta uma malha de trilhas com interesses histórico-cultural, sócioambiental, cultural e multi-temática, que representam o acervo histórico do município.
Existem ruínas (do Lazareto dos Escravos e Aqueduto), represas, mirantes e áreas de lazer. O turismo de base local e a preparação de roteiros voltados ao ecoturismo de base comunitária em Paracambi são formas de preservar o patrimônio histórico-cultural e ambiental da região.


Segue abaixo uma listagem das espécies encontradas ao longo da trilha Jequitibá-Rosa. Os dados foram extraídos de SOUZA, 2011.



Os estudos científicos realizados na área do parque ainda são escassos, portanto a sua composição florística bem como a fauna local, ainda é desconhecida. Nesse sentido alguns pesquisadores, especialmente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, vem realizando estudos principalmente no que se refere a flora local e em breve os resultados serão publicados. De modo geral é possivel observar uma mata com elementos típicos da Mata Atlântica, mas também com um grande número de expécies exóticas (Eucalyptus, Jaqueiras- Artocarpus heterofolia, entre outros). Parece tratar portanto de uma área em regeneração.

 Rio dos macacos

 Interior da mata do Parque do Curió
 Represa de abastecimento da CEDAE, na entrada do parque.

Outros Sites: 
PORTAL PARACAMBI. Disponível em:   http://www.portalparacambi.com/Parque_do_curio.htm
        
            INSTITUTO TERRA. Disponível em: http://www.institutoterra.org.br/pagina/unidades-de-conservacao/30.

            SOUZA, 2011. Monografia sobre a trilha do Jequitibá Rosa. Disponível em: http://www.ufrrj.br/institutos/if/lmbh/pdf/mono_disset_tese54.pdf

             Plano de Manejo do Parque Municipal Natural do Curió. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/45796850/PLANO-DE-MANEJO-DO-PARQUE-NATURAL-MUNICIPAL-CURIO-DE-PARACAMBI

domingo, 6 de novembro de 2011

Morfologia externa de Raizes

         Raízes são órgãos vegetativos geralmente subterrâneos, responsáveis pela fixação mecânica dos vegetais ao substrato, além da função fisiológica de absorver do meio água e sais minerais essenciais ao desenvolvimento da planta.  Alguns tipos em especial podem ainda armazenar reservas nutritivas ou ter função de aeração.
No interior da semente existe um embrião composto pelo eixo hipocótilo-radicular, no qual em estão os cotilédones e a plúmula ( primórdio caulinar) em sua parte superior e na parte inferior esta a radícula.
Ao início da atividade metabólica na semente, caracterizando o processo de germinação, a radícula é a primeira estrutura que se distende por alongamento e divisão de suas células formando a raiz primária.
          Uma raiz é Adventícia quando se origina de outras estruturas que não da radícula ou da raiz primária; pode ser a partir do hipocótilo, do colo, de caules ou de ramos.

Caracterização geral de uma raiz
De dentro para fora encontramos as seguintes estruturas em uma raiz típica:

 1 Coifa ou Caliptra: trata-se de um tecido de revestimento no ápice da raiz, protegendo o meristema apical. É responsável por “abrir caminho” para a raiz.

 2 Zona lisa ou de crescimento: área logo acima da coifa, onde as células se alongam promovendo o crescimento longitudinal da raiz.Esta região carece de pelos absorventes.

 3 Zona pilífera: Região onde estão dispostos os pelos radiculares absorventes, 
responsáveis pela absorção de água e sai minerais. Anatomicamente, os pelos são células epidérmicas que se alongam.,

 4 Zona de ramificação (suberosa): Região onde são formadas as ramificações  laterais responsáveis pela fixação ao substrato. As raízes laterais aumentam a superfície de contato e consequentemente o vegetal tem maior disponibilidade de água e sais minerais. As raízes laterais não pode ser denominadas de raízes secundárias, visto que esta designação é aplicada ao estágio de desenvolvimento da raiz.

 5 Colo: região de transição entre o caule e a raiz; trata-se de uma demarcação externa, às vezes, quase imperceptível entre o hipocótilo e a radícula nas plântulas em início de germinação.






Existem basicamente 2 tipos  de organização do sistema radicular de plantas terrestres.

Sistema radicular pivotante ou axial : Apresenta uma raiz principal mais evidente e mais desenvolvida da qual partem de maneira perpendicular as raízes laterais ( Figura 02 A)

Sistema radicular fasciculado ou em cabeleira:  ao contrário do sistema anterior não é possível a distinção entre raiz principal e raízes laterais. É composto por raízes adventícias, com origem em vários meristemas. (Figura 02 B) Esse tipo de sistema radicular, característico de monocotiledôneas é adequado para proteção e recuperação de encostas. A cabeleira forma um emaranhado de raízes ( não profundas) impedindo a ação direta de agentes de intemperismo,diminuindo significativamente a erosão.



Tipos especiais de sistemas radiculares:

Raízes tuberosas: São raízes que armazenam substâncias nutritivas como o amido, por exemplo. As raízes de reserva são comuns em plantas de  regiões secas ou com invernos rigorosos. É o caso da cenoura (Daucus carota, Apiaceae) uma raiz principal e da batata doce (Ipomoea batatas, Convolvulaceae) uma raiz lateral.

Raiz grampiforme : São raízes que permitem a fixação do vegetal em locais íngremes  como muros ou árvores. São exemplos a hera (Hedera helix – Araliaceae) e a hera-miúda (Fícus repens - Moraceae).

Raiz escora: quando a copa da árvore alcança grande desenvolvimento, numerosas raízes adventícias começam a formar-se a partir dos ramos laterais e, ao atingirem o chão, penetram no solo, ramificam-se e começam a apresentar um crescimento em espessura tão acentuado de sua parte aérea que logo se confundem com o caule. Essas raízes também assumem a função de caule, isto é, passam a auxiliar na condução da água e sais minerais do solo até a copa


 Raíz escora em Pandanus sp.

Raiz tabular: recebem este nome  por lembrarem  tábuas ou pranchas verticais, dispostas radialmente em torno da base do caule. Têm a função de aumentar a base de apoio de plantas de grande porte, auxiliando no equilíbrio e na sustentação do tronco, além de aumentarem a superfície de aeração. Essas raízes tabulares são variações das raízes suporte e encontradas em algumas grandes árvores das florestas tropicais úmidas como, por exemplo, figueiras (Ficus sp., Moraceae) e sumaúna. 
Raíz tabular  (Sapopemas) em Ceiba pentandra (Linn.) Gaertn.


Raiz estrangulante:  são raízes que ,conforme o nome indica, estrangulam  um outro vegetal. É o que acontece, por exemplo, nas figueiras conhecidas como mata-pau (Fícus sp. - Moraceae). Elas  iniciam sua vida como epífitas e são formadas inúmeras raízes adventícias que envolvem o tronco da planta hospedeira, como um denso sistema radicular. Essas raízes crescem em direção ao solo e, ao atingi-lo, ramificam-se e começam a crescer em espessura, especialmente nas partes aéreas. Durante os primeiros anos a hospedeira e a epífita convivem bem, mas ao mesmo tempo em que as raízes da epífita vão se espessando, o caule da planta hospedeira também começa a espessar-se, até o momento em que este crescimento começa a ser dificultado.
                                        Raíz estrangulante do Mata pau (Ficus sp.)

Raiz sugadora ou haustório: Característica de plantas parasitas. Trata-se  de uma modificação das raízes a fim de que penetram no interior dos tecidos da planta hospedeira para absorver  água e nutrientes.
            Existem dois casos especiais de parasitismo: Quando as raízes sugadoras alcançam o floema (necessitam de seiva elaborada) são Holoparasitas. Plantas holoparasitas geram mente são desprovidas de clorofila e portanto não realizam fotossíntese, esse é o caso do cipó-chumbo (Cuscuta racemosa- Convolvulaceae). Caso  a raiz alcance apenas o tecido mais externo , o xilema, o vegetal é dito Hemiparasita. Ex: Erva de passarinho (Struthanthus flexicaulis - Loranthaceae).

Pneumatóforos : são raízes que emitem ramificações verticais ascendentes, de geotropismo negativo, que crescem para fora do solo encharcado dos mangues e pântanos como, por exemplo, (Rhizophora mangle -Rhizophoraceae). Essas raízes apresentam estruturas de aeração, semelhantes às lenticelas do caule, denominadas pneumatódios, que auxiliam a planta na obtenção do oxigênio atmosférico, tão escasso no solo encharcado.

Estruturas especializadas

Gavinhas: as raízes transformam-se em estruturas de fixação semelhantes a uma mola. Enrolam-se ao tocar em um suporte porque são sensíveis ao estímulo do contato. Exemplo: (Vanilla sp. -Orchidaceae).

Espinhos: em algumas buritiranas (Arecaceae) as raízes podem transformar-se em espinhos. Vale a pena lembrar que o espinho é uma estrutura complexa, um órgão modificado (raiz, caule ou folha) e que, portanto, apresenta tecido de revestimento, sustentação e até mesmo vascularização própria, enquanto o acúleo das roseiras é apenas uma formação epidérmica.

Micorrizas: relação simbiótica entre certas raízes e os fungos, sendo comum em várias plantas, principalmente em espécies de florestas úmidas ou em orquídeas. As micorrizas desempenham um papel extremamente importante aumentando a absorção de fósforo e outros minerais essenciais às plantas. Podem ser ectotróficas ou ectomicorrizas, quando as hifas do fungo envolvem externamente a raiz, ficando apenas entre as células epidérmicas e corticais, sem penetrá-las, ou endotróficas ou endomicorrizas, quando as hifas do fungo efetivamente penetram as células corticais da raiz, através de suas paredes. As orquídeas e muitas espécies saprófitas apresentam micorrizas em suas raízes.

Nódulos radiculares: aparecem nas raízes de muitas plantas da família Leguminosae ou Fabaceae, como conseqüência da infestação por bactérias fixadoras de N2 atmosférico. Essas bactérias penetram na raiz por meio dos pelos radiculares, passam até as células corticais, multiplicam-se e estimulam tais células a se dividirem, formando assim o nódulo. As bactérias são responsáveis pelo processo de fixação do nitrogênio, isto é, transformam o N2 (gás) disponível no solo para NH4+ (nitrato), que é a forma em que o nitrogênio é utilizável pelas plantas. Trata-se, portanto, de uma associação simbiótica de grande importância adaptativa para as plantas que a apresentam, pois lhe permite obter nitrogênio (via atividade bacteriana) em solos pobres neste nutriente essencial.

Velame: é das adaptações morfológicas mais notáveis das epífitas. As raízes destas plantas são aéreas e portanto, clorofiladas.Mas é na epiderme radicular que se encontra uma maior diferenciação: ao contrário das raízes primárias subterrâneas, a epiderme é múltipla, ou seja, possui várias camadas (pluriestratificação).Esta cama da múltipla de células tem a função de acumular a água da umidade atmosférica ou da superfície do hospedeiro. Comum em Orchidaceae.

Raiz aérea – é a raiz de uma planta epífita, que vive sobre outras plantas, sem parasitá-las, . As raízes partem do caule e se dirigem verticalmente para o solo, podem atingir a alguns metros, são muito resistentes e freqüentemente usadas como cipós. Quando as raízes atingem o solo, penetram nele e se ramificam, antes disso a ramificação dificilmente acontece, a não ser que a ponta tenha sido quebrada.

Raiz aquática – é a raiz que se forma abaixo da lâmina d’água, que serve para flutuação e para a respiração da planta.